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Iranianos vão às urnas para escolher novo presidente

Os iranianos vão às urnas nesta sexta-feira (27) para eleger novo presidente entre seis candidatos, incluindo um reformista, até agora desconhecido, que espera abalar a supremacia dos conservadores.

A eleição, inicialmente prevista para 2025, foi organizada em poucas semanas para substituir o presidente Ebrahim Raisi, que morreu num acidente de helicóptero em 19 de maio.

O pleito ocorre em momento delicado para a República Islâmica, que tem de gerir simultaneamente tensões internas e crises geopolíticas, da guerra na Faixa de Gaza à questão nuclear, a cinco meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, seu inimigo declarado.

A campanha, que começou de forma desapaixonada, foi mais competitiva do que a anterior, em 2021, graças à presença do reformista Massoud Pezeshkian, que se impôs como um dos três favoritos.

Os seus dois principais adversários são o conservador presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, e Saïd Jalili, o ultraconservador ex-negociador nuclear.

A previsão de votos entre eles poderá levar a um segundo turno, o que só aconteceu numa eleição presidencial, em 2005, desde o início da República Islâmica, há 45 anos.

Para ter hipóteses de ganhar, Massoud Pezeshkian deve esperar elevada taxa de participação, ao contrário da eleição presidencial de 2021, que foi marcada por abstenção recorde de 51% quando nenhum candidato reformista ou moderado foi autorizado a concorrer.

Na terça-feira (25), o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, apelou aos iranianos para que "compareçam em grande número", receando a mais que provável baixa taxa de participação, tendo como pano de fundo os 41% registados nas legislativas de março passado.

Para Ali Vaez, especialista sobre questões ligadas ao Irã do International Crisis Group (ICG), o futuro presidente terá de enfrentar "o desafio de evitar a ampliação do fosso entre o Estado e a sociedade". Até agora, nenhum dos candidatos "apresentou um plano concreto para resolver esses problemas", considera.

O reformista Pezeshkian, de 69 anos, viúvo e pai de família, garantiu aos eleitores que é possível "melhorar" alguns dos problemas com que se defrontam os 85 milhões de habitantes do Irã.

No entanto, aos olhos de alguns eleitores, esse médico, que se tornou deputado, carece de experiência de governo, tendo sido apenas ministro da Saúde há cerca de 20 anos.

Em contrapartida, Mohammad-Bagher Ghalibaf é, aos 62 anos, um veterano da política, depois de ter feito carreira na Guarda Revolucionária, o poderoso Exército ideológico da República Islâmica.

Por seu lado, Saïd Jalili, 58 anos, que perdeu uma perna durante a guerra Irã-Iraque nos anos 80, atrai os apoiadores mais fervorosos da República Islâmica, apoiando a firmeza inflexível de Teerã em relação aos países ocidentais.

Já Massoud Pezeshkian defende uma aproximação nas relações com os Estados Unidos e com a Europa, a fim de suspender as sanções que afetam duramente a economia, e recebeu o apoio do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Javad Zarif, o arquiteto do acordo nuclear firmado com as grandes potências em 2015.

O reformista pede também uma solução para a questão do véu obrigatório para as mulheres, uma das causas do amplo movimento de protesto que abalou o país no final de 2022, após a morte de Mahsa Amini, que foi presa por não respeitar o código de vestuário.

"Durante 40 anos, tentamos controlar o  (véu islâmico), mas só pioramos a situação", lamentou Pezeshkian.

A maioria dos outros candidatos adotou posição cautelosa em relação a essa questão, declarando-se bastante contrária à implantação da polícia da moralidade.

Uma das certezas da eleição é de que o próximo presidente será um civil e não um clérigo xiita, como os dois anteriores, Hassan Rohani e Ebrahim Raisi.

Não pode, portanto, ser considerado um potencial sucessor do ayatollah Khamenei, que tem 85 anos e está à frente do Irã há 35.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Fonte: Agência Brasil

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