EUA e Irã retomam negociações sobre programa nuclear, em Genebra
O Irão e os Estados Unidos retomam nesta quinta-feira (26) as negociações em Genebra, com o objetivo de resolver a longa disputa nuclear e evitar novos ataques dos EUA ao Irão.
Teerã apresentou uma proposta e insiste que é possível chegar a um acordo se Donald Trump cumprir as pré-condições acordadas.
Trata-se da terceira rodada de negociações na tentativa de ultrapassar o impasse de décadas sobre o programa nuclear do Irã que, Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais acreditam ter como objetivo a construção de armas nucleares. O Irã nega essa acusação.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, vão participar das negociações indiretas com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi.
O encontro ocorre após as discussões realizadas em Genebra na semana passada e será novamente mediado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi.
Segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna, o Irã apresentou uma proposta para um possível acordo nuclear com os Estados Unidos, através de um intermediário de Omã.
"A delegação da República Islâmica do Irã apresentou propostas aos EUA que eliminam todos os pretextos estadunidense em relação ao programa nuclear pacífico do Irã", informou a Irna nesta quinta.
De acordo com a agência estatal, se esta proposta for rejeitada "se confirma a suspeita da falta de seriedade dos Estados Unidos em matéria diplomática e a natureza simbólica da sua postura diplomática".
A proposta foi anunciada depois de Araqchi e Albusaidi terem reunido na noite de quarta-feira.
Antes de partir para Genebra, Araghchi afirmou que o objetivo era alcançar "um acordo justo e equitativo no menor tempo possível".
"As nossas posições e crenças fundamentais são completamente claras. O Irã jamais, sob quaisquer circunstâncias, procurará desenvolver armas nucleares; ao mesmo tempo, nós, iranianos, jamais abriremos mão do nosso direito de nos beneficiarmos da tecnologia nuclear para fins pacíficos."
"Chegar a um acordo está ao nosso alcance, mas apenas se a diplomacia for priorizada", asseverou.
O Irã insiste que um acordo pode ser alcançado, desde que Washington mantenha sua disposição de conceder à República Islâmica o direito simbólico de enriquecer urânio e de não impor controle ao programa de mísseis balísticos do país.
Estas condições são consideradas cruciais pelos diplomatas iranianos, mas ainda não está claro se os EUA aceitam estes parâmetros.
Os dois lados iniciam as negociações indiretas com posições muito distantes: enquanto Washington insiste na suspensão do enriquecimento de urânio iraniano e na limitação do alcance dos seus mísseis; Teerã diz que só estaria disposto a reduzir seu programa nuclear em troca do levantamento de sanções.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que seria um "grande problema" se o Irã não negociasse a respeito dos mísseis.
"Se nem sequer consegue avançar no programa nuclear, será difícil avançar também com os mísseis balísticos", disse Rubio ontem à noite, afirmando que a questão dos mísseis terá de ser resolvida eventualmente, uma vez que esses armamentos são projetados "exclusivamente para atingir os Estados Unidos" e representam uma ameaça à estabilidade regional.
A terceira rodada de negociações ocorrem enquanto Donald Trump continua ameaçando os iranianos com uma intervenção armada e enviou o maior destacamento militar para o Oriente Médio desde a Guerra do Iraque.
Na madrugada de quarta-feira, o presidente estadunidense acusou Teerã de estar desenvolvendo mísseis capazes de atingir território americano e garantiu que não permitiria que "o maior patrocinador do terrorismo no mundo" tivesse arma nuclear.
Teerã classificou as afirmações de Trump como "grandes mentiras", e o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, disse hoje que a República Islâmica não desenvolve armas nucleares.
"Trump disse que o Irã deve declarar que não vai desenvolver armas nucleares, mas já dissemos isso em inúmeras ocasiões", afirmou Pezeshkian, ao ressaltar que está empenhado em tentar sair "desta situação de 'nem guerra nem paz'".
O presidente iraniano recordou que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, proibiu o desenvolvimento de armas nucleares e que, após fazer estas declarações, "significa que não as teremos".
*É proibida a reprodução deste conteúdo
Fonte: Agência Brasil
Nenhum comentário
Deixei seu comentário, a sua opinião é muito importante.