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Morre Jesse Jackson, pastor e ativista norte-americano

"Ele morreu hoje em paz rodeado pela sua família", comunicaram os familiares em nota oficial.

Jesse Jackson era reconhecido pelo compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos que ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e dignidade. Destacou-se como ativista pelos direitos civis e concorreu duas vezes, em 1984 e 1988, à nomeação presidencial do Partido Democrata dos EUA.

"Artífice incansável da mudança, deu voz aos que não a tinham e deixou uma marca indelével na história", escreveu sua família na nota. "Desde as campanhas presidenciais que liderou na década de 1980 até a mobilização de milhões de pessoas para se recensearem para votar, deixando sua marca na história".

"O nosso pai foi um líder ao serviço dos outros – não só da nossa família, mas também dos oprimidos, dos que não tinham voz e dos esquecidos em todo o mundo. O dividimos com o mundo e, em troca, o mundo passou a fazer parte da nossa família alargada".

O pastor afro-americano tinha anunciado que lutava contra a doença de Parkinson em 2017 e, desde então, começou a limitar as aparições públicas.

A nota acrescenta: "A sua crença inabalável na justiça, na igualdade e no amor inspirou milhões de pessoas e pedimos que honrem a sua memória continuando a luta pelos valores que pautaram a sua vida".

Apesar dos problemas de saúde dos últimos anos, Jackson continuou a manifestar-se contra a injustiça racial já na era do movimento Black Lives Matter.

"Mesmo que ganhemos", disse aos manifestantes em Minneapolis, antes de o policial que manteve o joelho sobre o pescoço de George Floyd ser condenado por homicídio, "isso será um alívio, não uma vitória. Continuam a matar o nosso povo. Parem a violência, salvem as crianças. Mantenham a esperança viva".

Nascido nos Estados Unidos ainda marcados pela segregação, Jesse Jackson participou em alguns dos episódios mais marcantes da luta pela igualdade racial no país. Esteve com Martin Luther King, tido como um dos maiores ativistas na luta pelos direitos civis e contra o racismo, em Memphis, em 1968, quando este foi assassinado.

Contudo, a sua carreira também foi marcada por polêmicas, como em 1984 quando usou um termo antissemita para se referir a Nova York ou quando apoiou o cantor Michael Jackson, seu amigo, durante o julgamento por abuso sexual de menores em 2005.

Mas, foi com as suas duas campanhas presidenciais, em 1984 e 1988, que Jesse Jackson ganhou notoriedade, ampliando a plataforma política democrata para as lutas da comunidade negra.

Fonte: Agência Brasil

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