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Número recorde de americanos deixa os Estados Unidos

O novo sonho de cidadãos dos Estados Unidos (EUA) é deixar de viver no país, informa o The Wall Street Journal (WSJ). Os americanos estão saindo em número recorde para se instalar com as famílias em regiões que consideram mais acessíveis e mais seguras, entre elas Portugal.

Entre os países procurados está a República Checa, onde o número de americanos mais do que duplicou na última década.

No ano passado, pela primeira vez desde a Grande Depressão dos anos 30, houve mais pessoas saindo dos Estados Unidos do que entrando, informa o jornal americano. De acordo com a Brookings Institution, um grupo de reflexão sobre políticas públicas, estima-se que no ano passado tenham saído 150 mil pessoas dos EUA e é provável que os números continuem a subir neste ano.

Desde a administração de Dwight D. Eisenhower, Washington pode não ter estatísticas completas sobre o número de imigrantes, mas os dados sobre autorizações de residência, compra de casa, matrículas em universidades e outros dados de mais de 50 países em todo o mundo mostram que os americanos estão a "votar com os pés" (expressão que significa manifestar preferência por meio de ações) em um nível sem precedentes.

Analistas referem-se a essa onda como o "Donald Dash" (fuga, em inglês), uma vez que o número de emigrantes americanos disparou durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. 

De acordo com o WSJ, o fenômeno cem crescendo há anos - alimentado pelo aumento do teletrabalho, o crescimento do custo de vida e o desejo de um estilo de vida no estrangeiro, que é especialmente possível na Europa.

Estima-se que entre 4 milhões e 9 milhões de norte-americanos vivam fora dos EUA, mas não existe um conjunto de dados que os registre com exatidão.

O jornal, no entanto, cita várias fontes que indicam que mais de 1,5 milhão de americanos viviam no México em 2022. Já os 250 mil americanos que vivem no Canadá não incluem as pessoas com dupla nacionalidade ou que atravessam a fronteira. 

Por sua vez, mais de 1,5 milhão de americanos vivem na Europa, dos quais mais de 325 mil no Reino Unido. Em quase todos os 27 Estados-membros da UE, o número de americanos que foram para viver e trabalhar está aumentando.

O número total de cidadãos americanos que vive em Portugal aumentou mais de cinco vezes desde a pandemia de covid-19. Na Espanha e nos Países Baixos, o número quase duplicou na última década e na República Checa mais do que duplicou.

No ano passado, houve mais americanos se mudando para a Alemanha do que alemães indo para a América. O mesmo ocorreu com a Irlanda, que acolheu duas vezes mais novos moradores dos EUA no ano passado do que em 2024, em busca de qualidade de vida e proteção social.

As autoridades norte-americanas acumulam pedidos de renúncia à cidadania, diz o jornal. Em 2024, o número aumentou quase metade em relação ao ano anterior e, no ano passado, também deverá ser ultrapassado.

Em contrapartida, o interesse dos americanos pela nacionalidade britânica é o mais elevado desde 2004, e o número de pedidos de nacionalidade irlandesa também atingiu nível recorde.

As pessoas citam razões econômicas, a preferência por um estilo de vida diferente ou a desilusão com o rumo do país como motivações para deixar os EUA, citando os crimes violentos, o custo de vida e a turbulência política.

Para muitos, a reeleição de Trump foi um fator, enquanto outros votaram no atual presidente.

De acordo com o Wall Street Journal,  há uma mudança estrutural e social mais profunda. Enquanto um em cada dez americanos queria deixar os EUA durante a recessão de 2008, um em cada cinco o fez no ano passado. 

Em 2025, pesquisa do Instituto Gallup revelou que 40% das mulheres americanas entre os 15 e os 44 anos gostariam de viver em outros países de forma permanente.

Especificamente na Europa, os americanos são também atraídos pelo sistema social e pela qualidade dos cuidados de saúde e da educação.

"Os salários são mais elevados nos Estados Unidos, mas há mais qualidade de vida na Europa", resume Chris Ford, de quarenta e um anos, que se mudou para Berlim com a família.

Por outro lado, para a população local dos países para onde os americanos se dirigem em grande número, a sua chegada pode ter impacto negativo.

Em Bali, na Colômbia e na Tailândia, a chegada de americanos em regime de teletrabalho exerceu pressão tão grande sobre a habitação que deu origem a protestos locais contra a gentrificação (transformação de áreas urbanas periféricas, atraindo moradores de maior renda). Também em Portugal e na Espanha se discute a forma de garantir que os habitantes locais não sejam prejudicados pela nova onda de pessoas procedentes do estrangeiro.

Cerca de 58% dos compradores estrangeiros de imóveis em Portugal são dos EUA, e os preços das casas duplicaram em alguns bairros históricos de Lisboa em cinco anos. 

Em Barcelona, grafite no muro diz:  "Nômades digitais, vão para casa!".

Fonte: Agência Brasil

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