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Robôs humanóides chineses são atrações no espetáculo do Ano Novo Lunar

O programa de TV mais assistido da China, o gala anual do Festival da Primavera da CCTV, apresentou nesta segunda-feira (16) a política industrial de ponta do país e o impulso de Pequim para dominar os robôs humanóides e o futuro da manufatura.

Quatro startups emergentes de robôs humanóides — Unitree Robotics, Galbot, Noetix e MagicLab — demonstraram seus produtos na gala, evento televisionado e referência para a China comparável ao Super Bowl para os Estados Unidos.

Os três primeiros esquetes do programa destacaram robôs humanóides, incluindo uma longa demonstração de artes marciais em que mais de uma dúzia de humanóides da Unitree realizaram sequências de luta sofisticadas, brandindo espadas, bastões e nunchucks - arma tradicional de artes marciais do Leste Asiático - bem próximos a crianças que atuavam no programa.

As sequências de luta incluíram uma tecnicamente ambiciosa, que imitava os movimentos vacilantes e as quedas para trás do estilo de artes marciais chinês ("boxe bêbado"), mostrando inovações na coordenação de múltiplos robôs e na recuperação de falhas - onde um robô pode se levantar após cair.

A abertura do programa também apresentou com destaque o chatbot de inteligência artificial (IA) Doubao, da Alibaba, enquanto quatro robôs humanóides Noetix apareceram ao lado de atores humanos em uma esquete cômica e os robôs MagicLab realizaram dança sincronizada com artistas humanos durante a música "We Are Made in China".

O entusiasmo em torno do setor de robôs humanóides da China surge no momento em que grandes empresas, incluindo AgiBot e Unitree, se preparam para ofertas públicas iniciais este ano, e startups domésticas de inteligência artificial lançam uma série de modelos de ponta durante o lucrativo feriado público de nove dias do Ano Novo Lunar.

O evento do ano passado impressionou os espectadores com 16 humanóides Unitree em tamanho real, girando lenços e dançando em uníssono com artistas humanos.

O fundador da Unitree se encontrou com o presidente Xi Jinping semanas depois, em um simpósio de tecnologia de alto nível — o primeiro do tipo desde 2018.

Xi se reuniu com cinco fundadores de startups de robótica no ano passado, número comparável aos quatro empreendedores de veículos elétricos e quatro de semicondutores que ele conheceu no mesmo período, dando ao setor visibilidade incomum.

O programa da CCTV, que atraiu 79% da audiência de TV ao vivo na China no ano passado, tem sido usado há décadas para destacar as ambições tecnológicas de Pequim, incluindo seu programa espacial, drones e robótica, disse Georg Stieler, diretor-gerente para a Ásia e chefe de robótica e automação da consultoria de tecnologia Stieler.

"O que distingue a gala de eventos comparáveis em outros lugares é a franqueza do canal entre a política industrial e o espetáculo no horário nobre", disse Stieler.

"As empresas que aparecem no palco recebem recompensas tangíveis em forma de pedidos do governo, atenção dos investidores e acesso ao mercado."

Por trás do espetáculo de robôs correndo maratonas e executando chutes de kung fu e saltos mortais, a China posicionou a robótica e a IA no centro de sua estratégia de fabricação de IA+ de última geração, apostando que os ganhos de produtividade com a automação compensarão as pressões de sua força de trabalho envelhecida.

"Os humanóides reúnem muitos dos pontos fortes da China em uma única narrativa: capacidade de IA, cadeia de suprimentos de hardware e ambição de manufatura. Eles também são o formato mais 'legível' para o público e as autoridades", disse o analista de tecnologia Poe Zhao.

"Em um mercado incipiente, a atenção se torna um recurso."

A China foi responsável por 90% dos cerca de 13 mil robôs humanóides vendidos globalmente no ano passado, muito à frente de rivais dos EUA, incluindo o Optimus da Tesla, de acordo com a empresa de pesquisa Omdia.

O Morgan Stanley projeta que as vendas de humanóides da China mais que dobrarão para 28 mil unidades este ano.

Elon Musk disse que espera que seus maiores concorrentes sejam as empresas chinesas, à medida que ele direciona a Tesla para um foco em IA incorporada e seu robô humanóide Optimus.

"As pessoas fora da China subestimam o país, mas a China é um adversário de outro nível", disse Musk no mês passado.

 

Fonte: Agência Brasil

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