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Petro diz que bombas na fronteira com Equador deixaram 27 corpos

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta terça-feira que os bombardeios ocorridos na fronteira com o Equador deixaram 27 corpos carbonizados, enquanto seu homólogo equatoriano, Daniel Noboa, afirmou que seu país estava realizando bombardeios em seu próprio território contra traficantes de drogas.

"Eu não dei essa ordem", disse Petro no X, acrescentando que os bombardeios não foram realizados pelas forças de segurança colombianas.

"Presidente Petro, suas declarações são falsas, estamos agindo em nosso território, não no seu", postou Noboa no X mais cedo, depois que Petro sugeriu, em comentários na noite de segunda-feira, que o Equador havia lançado as bombas em território colombiano.

Noboa disse que os locais bombardeados serviam de esconderijo para grupos ligados ao narcoterrorismo, a maioria deles colombianos. "Continuaremos a limpar e a reconstruir o Equador", acrescentou.

Seu governo lançou operações na noite de domingo contra gangues criminosas em todo o país, mas não informou sobre o progresso das operações militares na fronteira.

O Equador declarou que suas operações contra o tráfico de drogas estão sendo realizadas com o apoio de países aliados, incluindo os Estados Unidos.

O governo equatoriano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os corpos carbonizados.

O episódio amplia a deterioração das relações entre os dois governos sul-americanos que vem se agravando, em especial, depois que Quito elevou as tarifas de importação dos produtos colombianos em 30% no início de fevereiro.

Noboa chamou a medida de "taxa de segurança" após reclamações sobre a falta de eficácia da Colômbia no combate ao crime na fronteira entre os dois países. 

A Colômbia, em resposta, suspendeu a venda de energia elétrica ao Equador e impôs uma tarifa de 30% sobre 70 produtos vindos do país andino.

O Equador tem firmado acordos de cooperação com os Estados Unidos (EUA) sob a justificativa de combate ao narcotráfico, que foi classificado pelo governo equatoriano de "organizações terroristas", igualando à política do governo Trump sobre o tema. 

O governo de Daniel Noboa chegou a consultar a população para autorizar a abertura de uma base militar estrangeira no país, mas a medida acabou rejeitada por 60% dos votos. 

Na semana passada, o Equador abriu, em Quito, a primeira sede oficial do FBI, o serviço de inteligência dos EUA. Além disso, tem firmado acordos com Washington para operações conjuntas dentro do Equador, editando seguidos decretos de estados de emergência e toques de recolher.  

Também na semana passada, a Justiça Eleitoral do Equador suspendeu, por nove meses, o registro do principal partido de oposição do Equador, o Revolução Cidadã, do ex-presidente Rafael Corrêa, o que deve prejudicar a participação da legenda nas eleições locais de 2027.

O Tribunal eleitoral suspendeu o registro do partido do Corrêa em meio a uma investigação sobre lavagem de dinheiro.

A candidata derrotada por Noboa em 2025, Luisa González, do Revolução Cidadã, vem sendo investigada por supostamente receber recursos da Venezuela. González nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.

Nas últimas semanas, o governo dos EUA vem estreitando relações militares com diversos países da América Latina sob o argumento duplo de combater os cartéis de drogas na região e afastar a influência econômica de atores externos, como China e Rússia, adversários comerciais dos EUA.

As medidas expressam a política da Casa Branca do Corolário Trump à Doutrina Monroe. Incluída na Estratégia de Segurança Nacional, anunciada em dezembro pelos Estados Unidos, a política reafirma a doutrina criada em 1823 e prega a "proeminência" de Washington sobre as Américas. 

Ao lançar uma dessas iniciativas, o secretário de Defesa da Casa Branca, Pete Hegseth, chegou a ameaçar "agir sozinho" nos países latino-americanos "se necessário", para supostamente combater cartéis, o que violaria a soberania nas nações da região sob o próprio território. 

Fonte: Agência Brasil

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